05 Ferramentas de Inovação para incluir no seu Planejamento Estratégico

Definitivamente o ano de 2020 será lembrado como uma das fases em que a humanidade navegou por mares de incertezas e que aceleraram mudanças. A transformação digital, a atualização de estruturas de organização corporativa e o surgimento de tendências no consumo são alguns consensos que marcarão o “novo normal”. 

Com esse novo cenário, muitas empresas e organizações entenderam que simplesmente não podem continuar da forma em que estavam. 

Uma pesquisa da Confederação Nacional das Indústrias realizada em julho de 2020 apontou que 83% das empresas necessitarão de mais inovação para o crescimento ou mesmo sobrevivência no mundo pós-pandemia.  

 

Priorizar a inovação será decisivo para acelerar e retomar o crescimento.

 

Por que inovar na estratégia da minha empresa?

Estratégia é sobre fazer escolhas entre diversas opções, selecionando aquelas que tem a melhor chance de resultados. Quando trazemos a inovação como diretriz no planejamento estratégico, acabamos criando vantagens competitivas, como por exemplo: 

  • Adaptação do plano de ação para atender às mudanças das necessidades dos clientes;
  • Identificação e abordagem rápida de novas oportunidade que estão sendo criadas pelo cenário em mudança;
  • Reavaliação do portfólio de projetos ou iniciativas anteriores para realocar recursos; 
  • Construção de uma base para o crescimento pós-crise, mantendo a competitividade no período de recuperação.

Ferramentas de inovação para o planejamento estratégico

Um dos objetivos deste artigo é apresentar algumas ferramentas práticas para que você possa incluir na sua estratégia. Por isso selecionei 05 ferramentas básicas, dentre as centenas que utilizamos nos projetos de inovação com os clientes, para ajudar a navegar nas mudanças de forma mais segura. 

Matriz de Alinhamento

A Matriz de Alinhamento (também conhecida como Matriz CSD) é usada para explorar, identificar e alinhar o conhecimento do grupo sobre um determinado assunto, seja uma revisão do planejamento estratégico, construção de visão de futuro ou um diagnóstico mais amplo de algum projeto. 

Está dividido em três colunas: Certezas, Suposições e Dúvidas. Como é uma ferramenta colaborativa, a Matriz traz a possibilidade de surgir novos elementos que ajudarão a definir as próximas etapas de trabalho. 

Algumas perguntas que devem ser respondidas são: 

  • Coluna Certezas: “O que sabemos?”
  • Coluna Suposições: “O que achamos, mas não temos certeza?”
  • Coluna Dúvidas: “O que não sabemos?”

É uma ferramenta muito utilizada na etapa “Entendimento” do Design Thinking para definir os desafios do projeto. 

Canvas de Contexto 

Também conhecido como Mapa de Contexto ou Context Canvas, esta ferramenta permite obter um panorama de contexto e tendências que afetam diretamente e indiretamente o ambiente em que a empresa ou projeto, no agora e no futuro. 

O Canvas está dividido em sete áreas:

  • Tendências demográficas: As principais mudanças em dados demográficos da população como por exemplo, nível de escolaridade, envelhecimento e novas formações familiar. 
  • Regras e regulamentação: Quais novas regras e regulamentações que podem afetar sua empresa?
  • Economia e ambiente:  Devem ser apontados de forma objetiva as previsões sobre o clima econômico.
  • Concorrência: Os concorrentes inesperados ou que estão com crescimento em velocidade
  • Tendências tecnológicas: Aqui deve focar nas tecnologias que mais impactarão seu negócio
  • Necessidades do cliente: Novas mudanças de comportamento ou novas tendências populares
  • Incertezas: Aquelas previsões que causarão um grande impacto, mas não está claro como ou quando. 

O Canvas de Contexto ajuda a expandir o olhar do grupo além dos produtos e serviços que oferecem, construindo um futuro do ponto de vista coletivo.

Mapa da Jornada do Cliente

É uma ferramenta visual que identifica o caminho de uma pessoa durante o uso de um serviço ou produto. O Mapa é uma das melhores formas para mergulhar na realidade dos clientes, obtendo um conhecimento mais profundo das necessidades e tarefas.  

A jornada é descrita passo a passo a partir da visão do cliente, relacionando as principais etapas aos pontos de contato. Dessa forma o grupo pode observar os momentos mais críticos, levantar algumas suposições e visualizar formas em que a experiência pode ser melhorada. 

O Mapa da Jornada do Cliente é muito utilizada em conjunto com ferramentas como Mapa da Empatia e da Proposta de Valor. 

Mapa das Partes Interessadas (Stakeholders)

Esta ferramenta permite obter um panorama macro dos interessados e influenciadores que afetam de forma direta ou indireta a sua empresa. Da mesma forma que mapeamos o contexto, os stakeholders também fazem parte do universo em que seu produto ou serviço circula. 

A visão macro ajuda a equipe a identificar a detalhes como a ordem de hierarquia nos círculos de influência e a relação entre os stakeholders. 

Os stakeholders podem ser classificados de diversas formas. Um dos exemplos é que nos círculos mais próximos ao centro podem vir fornecedores, clientes, proprietários, concorrentes, acionistas e investidores e nos círculos mais externos virão imprensa, governos internos e externos, organizações sem fins lucrativos e instituições financeiras.

O preenchimento dessa ferramenta varia de acordo com o modelo de negócio e existem muitas versões, dependendo de quem colocamos no centro do mapa. 

Matriz de Ambição em Inovação

Criada por Bansi Nagji e Geoff Tuff, a Matriz de Ambição de Inovação é uma das ferramentas mais importantes para a criação e definição de um portfólio de projetos de inovação. É nela que podemos identificar no planejamento estratégico onde e como devemos inovar, destinando quantos projetos serão escolhidos e qual deve ser o volume de recursos investidos.

A Matriz está dividida em três tipos de inovações: 

Centrais (ou Essenciais): focadas em mudanças incrementais nos produtos e serviços existentes, aumentando a entrada em novos mercados;

Adjacentes: foco em potencializar algo que a organização faz bem num novo mercado, permitindo que se façam novos usos dos recursos existentes. Exige que uma visão das necessidades dos clientes, tendências de mercado e de tecnologia;

Transformacionais: focadas em criar novos negócios disruptivos, forçando a organização em busca de mercados desconhecidos. Usa como recurso um entendimento mais profundo dos clientes e o teste de produtos e serviços sem histórico. 

A recomendação é que tenha um balanceamento entre as três áreas na montagem do portfolio. Uma sugestão é ter como ponto de partida:

  • 70% para inovações centrais, na otimização de produtos e clientes existentes;
  • 20% para inovações adjacentes, para expandir a atuação para novos negócios;
  • 10% para inovações transformacionais, desenvolvendo inovações e inventando coisas para mercados que ainda não existem.

Planejando a travessia pelos novos mares

As ferramentas apresentadas são algumas que podem ajudar você e sua empresa a desenhar o planejamento estratégico de 2021 aumentando as opções para inovar e se diferenciar no mercado. 

Mas fazer as escolhas sobre quais caminhos tomar é apenas o início da jornada. É extremamente importante que todos tenham na prática, um aprendizado rápido a partir de projetos que devem ser executados. 

Para nós, a maneira mais segura de demonstrar os resultados em projetos inovadores é executar iniciativas que ajudem a fomentar uma cultura de inovação de forma sistemática, tendo como base uma gestão da inovação e um ambiente de aprendizado, abrindo espaços para o inesperado, a criatividade e a transformação. 

 

Gabriel Torobay

Gestor de projetos, facilitador, consultor em Inovação e Transformação Digital e cofundador do MOA Lab. 

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